1. SEES 28.8.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  O OUTRO LADO DA MOEDA
3. ENTREVISTA  LOBO  CONTRA A ABUNDNCIA DA MESMA OPINIO
4. LYA LUFT  CONSTRUIR A DEMOCRACIA
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  ESTIMULAO MAGNTICA TRANSCRANIANA

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

A GUERRA DAS MENSAGENS
A chegada ao Brasil do aplicativo WeChat, que usa Messi como garoto-propaganda em horrio nobre da TV,  um dos smbolos de uma grande transformao em curso no mundo virtual. Os servios de mensagens instantneas esto em ascenso e j ultrapassaram, em nmero de mensagens trocadas, os SMS (torpedos). Reportagem no site de VEJA mostra qual  a estratgia do gigante chins Tencent, dono do WeChat, para enfrentar seus maiores concorrentes no planeta, o Facebook (com o servio Messenger) e o WhatsApp.

ESTREIA EM VEJA.COM
O jornalista Leonel Kaz  o novo integrante do quadro de colunistas de VEJA.com. Editor especializado em livros de arte, como Brasil, um Sculo de Futebol e Jean Manzon - Retrato Vivo da Grande Aventura, dedicou-se nos ltimos anos a projetos culturais, um deles a curadoria do Museu do Futebol, em So Paulo. Agora retorna ao jornalismo para, como ele mesmo diz em sua pgina, "olhar com outro olhar e chacoalhar ideias fixas". 

PARCEIROS DE CIDADANIA
Com apoio de VEJA, a ONG Transparncia Brasil relanou no dia 17 o projeto Excelncias, ferramenta on-line que rene informaes sempre atualizadas sobre a atividade parlamentar.  a segunda parceria cidad firmada por VEJA: em abril de 2012, o site da revista abriu espao para o acompanhamento sistemtico que a ONG Contas Abertas faz da execuo do Oramento. Ambas as iniciativas ajudam a lanar luz sobre o poder e, assim, contribuem para a contnua modernizao do estado.

EM VDEOS
 Pergunte ao mdico 
Luiz Carlos Latorre, reumatologista e membro da Comisso de Lpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica quais so as causas da doena que voltou a ficar em evidncia por causa da personagem Paulinha, vivida pela atriz Klara Castanho, na novela Amor  Vida.

 Pergunte ao cientista
Mrio de Pinna, professor titular do Museu de Zoologia da Universidade de So Paulo, responde a questes sobre a evoluo, a teoria criada pelo naturalista britnico Charles Darwin.


2. CARTA AO LEITOR  O OUTRO LADO DA MOEDA
     Para efeito da eficincia prtica, mesmo que em prejuzo de sua propaganda, o governo deveria poupar os brasileiros de pr a culpa no mundo pelos problemas criados por sua prpria poltica econmica. Quando havia abundncia de dlares na economia mundial, como se verificava no comeo do ano passado, as autoridades de Braslia, despreparadas para fazer o melhor uso do vento a favor, culpavam os pases ricos pelo que a presidente Dilma Rousseff celebremente chamou de "tsunami de dlares". Agora, quando o vento mudou e se anuncia um perodo prolongado de escassez de recursos disponveis para investimentos nos pases emergentes, mais uma vez a poltica econmica  inadequada para enfrentar as presses vindas de fora. 
     Uma reportagem desta edio mostra que o governo brasileiro melhoraria muito sua reao s circunstncias externas se passasse a gastar energia naquilo que ele pode mudar, suas polticas monetria e fiscal. Est claro que no adianta gastar lbia e tempo com o que no podemos alterar, a conjuntura externa. A reportagem mostra tambm que nada podemos fazer contra o esperado aumento na taxa de juros dos Estados Unidos ou a desacelerao de crescimento na China. Portanto,  preciso arrumar a casa para os novos tempos de dlar em alta e suas consequncias. 
     Nos ltimos trs meses o real foi a moeda que mais se desvalorizou na comparao com a moeda americana entre todos os pases emergentes.  um sinal inequvoco de  que o Brasil desponta como uma das economias mais vulnerveis, neste momento,  virada dos humores externos. Essa  uma mudana radical, tendo em vista o fato de que o pas, na crise de 2008, foi um dos menos fragilizados. O que deu errado? Uma sequncia de polticas equivocadas, iniciadas ainda no fim dos oito anos de Lula, minou as protees do pas contra as crises externas e erodiu a credibilidade da poltica econmica. Entre outros equvocos graves, o governo baixou a guarda no combate  inflao, represou preos e afrouxou o controle das contas pblicas. A fuga para o dlar  a reao natural quando se deixa de confiar na moeda de um pas. E logo viro aumentos nos preos de produtos atrelados ao dlar, como o trigo e os combustveis, que pressionaro a inflao e alimentaro o desemprego.  preciso humildade nesta hora delicada para enxergar o outro lado da moeda e no sair dizendo que o inferno so os outros.


3. ENTREVISTA  LOBO  CONTRA A ABUNDNCIA DA MESMA OPINIO
O cantor carioca afirma que a era PT sepultou a tolerncia e a diversidade de pensamento e que os protestos de rua pareciam "desfile de escola de samba".
ALVARO LEME

Aos 55 anos, Lobo continua mau. O cantor carioca, nascido Joo Luiz Woerdenbag Filho, passou boa parte da vida trombando ora com a lei (nos anos 80, usurio contumaz de drogas diversas, era chamado tantas vezes  delegacia que passou a andar com algemas no bolso), ora com seus colegas msicos. Desancou a bossa nova, arrumou briga com os metaleiros e rompeu com as gravadoras e rdios adeptas do jab  os agrados que as primeiras oferecem s segundas para que toquem suas msicas e que, segundo Lobo, incluem desde "carro zero" para os radialistas "at surubas, daquelas em que o cara come sushi em cima de uma mulher nua". Quando o seu estoque de rebeldias parecia esgotado, ele escreveu Manifesto do Nada na Terra do Nunca, no qual critica o governo do PT e a figura do intelectual de esquerda  "espcie que reina soberana na nossa terra, patrulhando incautos e dando carteirada nos descontentes, filha de um marxismo guarani-caiov de butique e encarnao vvida da ofensa, da obtusidade e do recalque". A VEJA, ele disse o que acha dos recentes protestos de rua e dos grupos que se beneficiaram deles. 

O que o senhor  que j foi "um hedonista alienado", anarquista e petista  achou dos protestos de rua que ocorreram no Brasil? 
Eu os achei parecidos com destile de escola de samba. Tinha a comisso de frente, os destaques atrs e, encerrando a apresentao, a ala do quebra-tudo. 

O senhor se refere aos blach blocs? Ficar quebrando coisas, francamente,  constrangedor. Ainda mais de mscara na cara. Se eu fosse governante, criava logo o "passeatdromo". Assim, os manifestantes poderiam reivindicar o que quisessem e dar entrevistas para o Mdia Ninja sem atrapalhar a vida dos outros nem depredar o patrimnio pblico. Alis, vamos combinar que independente esse pessoal do Mdia Ninja no . Nos protestos, eles ficaram ao lado dos manifestantes o tempo todo e provocaram os policiais partindo do pressuposto maniquesta de que soldado  bandido e os outros, mocinhos. 

Isso quer dizer que o senhor  contra as manifestaes? 
Sou a favor de manifestaes qualquer que seja a causa, desde que haja uma causa definida. Com objetividade e foco, o pas poderia ter dado grandes passos. Mas, do jeito que foram feitos, os protestos s serviram para fortalecer as esquerdas. Hoje no existe estrutura poltica mais bem organizada e forte do que os partidos  esquerda do PT. Foram eles que tiraram mais proveito da insatisfao geral da populao. 

Segundo as pesquisas, o grupo da ex-senadora Marina Silva foi o principal beneficiado. Muitos a vem como uma alternativa aos polticos tradicionais. O senhor concorda com isso? 
Sendo delicado, diria a quem pensa assim que  ingnuo. A Marina, apesar de usar eufemismos como chamar "partido" de "rede",  uma poltica veterana  e deve ser vista como tal. Na minha opinio, ela  uma verso ainda mais destrambelhada da esquerda porque, para piorar tudo,  evanglica. Imagine os verdes religiosos no poder  o Brasil viraria uma "clorofilocracia" teocrata. O que, ainda por cima, no tem o menor charme, no  no? 

O seu livro provocou uma onda de crticas vindas sobretudo de setores da esquerda. O que achou delas? 
A inteno foi essa mesmo. A adrenalina que eu senti ao escrever deve ter sido a mesma de um cara que planeja um atentado  sabe que vai explodir uma bomba a qualquer momento. Agora, as reaes que eu vi me fizeram concluir que as pessoas perderam o humor. Teve gente que me mandou dar um tiro na boca sem sequer ter lido o livro. A internet virou um campo de batalha com escrotides de todos os lados. Mas acho que despertei uma maioria silenciosa que se sentia reprimida   hoje, tudo o que no se encaixe no discurso do petismo j vira coisa de reacionrio. No h mais espao para a tolerncia e para a diversidade de pensamento. As pessoas so to jecas que no suportam algum que tem opinio. E existe abundncia da mesma opinio no Brasil. 

Mas escrever um captulo intitulado "Vamos assassinar a presidenta da Repblica?" no foi um exagero? 
Deixe-me esclarecer:  bvio que eu no quero matar a Dilma. Minha inteno foi chamar ateno para a Comisso da Verdade, uma oportunidade claramente perdida. Ela deveria servir para lembrar que o governo tem de ser justo com todos e no ficar escolhendo o que vai ser investigado e o que vai ser encoberto. O governo  formado por gente que integrou a luta armada. Esse lado, como se sabe, tambm tinha seus podres, e no eram poucos. Praticava assaltos, sequestros e at assassinatos. Minha ideia  apenas cobrar coerncia. Se hoje h terroristas no poder, eles tambm precisam contar o que fizeram  inclusive a presidente Dilma. No lugar dela, seria o primeiro a sugerir que investigassem o meu passado. Mas os simplistas de planto no entendem  algo to elementar e me acusam de ser a favor da ditadura. 

O senhor j fez campanha para Lula e depois rompeu com o PT. Hoje, vota em quem? 
Em ningum. Alis, aproveito o ensejo para propor uma campanha para o voto deixar de ser obrigatrio. Em uma democracia no se pode obrigar. No quero sair da minha casa para poder anular meu voto. 

O que exatamente o decepcionou em relao ao PT? 
Comecei a mudar de opinio quando o Lula colocou o Gilberto Gil no Ministrio da Cultura. As ideias do Gil eram opostas s minhas. Eu estava em guerra contra as gravadoras, em campanha pela numerao dos discos e pelo controle das tiragens, e o Gil no quis comprar a briga, pelo contrrio. Ele se cercou de picaretas que s fizeram estimular o ax e o sertanejo universitrio. Mesmo assim, continuei apoiando o governo, at que veio o mensalo. Senti uma profunda vergonha. O que mais distinguia o PT do resto era justamente a aura da honestidade, da tica. Eu embarquei nessa. Fiz o papel do "idiota til". Confesso: era uma anta poltica. 

No  outro exagero essa autocrtica? 
Vou dar um exemplo. Nas eleies de 1989, eu tinha acabado de voltar de uma temporada nos Estados Unidos e dei uma entrevista dizendo que votaria no Roberto Freire. S que eu achava que estava falando do psicanalista. S descobri que era um homnimo dele quando armaram um encontro entre ns e conheci o verdadeiro Freire candidato, ento no PCB. Um mico. Voltando ao PT, o problema  que a nossa cultura  muito primria e simplista, e o jeito petista de governar exacerbou isso. Eles administram pela diviso estanque de ideias e grupos. O entendimento  sempre de que o lado mais forte se ope ao mais fraco:  o heterossexual contra o homossexual, o branco contra o negro. Nesse ambiente, fica impossvel dizer o que se pensa de verdade. Acho intelectualmente desestimulante. 

Por que h mais de vinte anos o senhor no emplaca um sucesso nas rdios? 
Porque eu me rebelei contra o jab. Para agradar aos radialistas e colocar uma msica no ar, as gravadoras sempre fizeram de tudo e mais um pouco: distribuem passagem para o exterior, carro zero, promovem at surubas, daquelas em que o cara come sushi em cima do corpo de uma mulher nua. Eu fiz parte disso. A nica msica minha que estourou espontaneamente foi Me Chama. Decidi romper com esse sistema, fui para o underground e, em 1999, vendi 100.000 discos em bancas de revista. E continuei produzindo coisas novas, no fiquei reciclando o que fazia nos anos 80, como tantos cadveres insepultos que circulam por a. 

O Caetano Veloso entra nessa categoria? 
Ele at  uma pessoa querida, mas h muito tempo o que faz deixou de ser relevante. Acho at engraado o jeito de o Caetano tocar rock. Ele toca com o dedinho levantado, como se estivesse tomando um cafezinho. Para falar a verdade, no acho o trabalho dele substancial desde o disco Muito, de 1978, l se vo mais de trinta anos. O Gil tambm, desde a poca do Refavela, do Realce, parou no tempo. 

E o Chico Buarque? 
Desse eu nunca gostei mesmo. Nada pessoal, mas  que ele  daqueles que tm inveja da pobreza. A prosdia dele me d urticria. Nunca foi sinnimo de subverso. O Chico era o garoto que toda me queria ver casado com a filha. Minha me adorava o (ex-presidente da Repblica Emlio Garrastazu) Mediei, de olhos azuis, e o Chico Buarque, de olhos verdes. Ela no sabia direito onde terminava um e comeava o outro. 

O que acha da atividade do grupo Fora do Eixo, que comeou organizando festivais de msica fora do circuito Rio-So Paulo e hoje  acusado, entre outras coisas, de explorar os artistas com que trabalha? 
Eu conheo o Fora do Eixo e acho que o que eles fazem  vampirizar o artista. Organizam festivais, arrecadam milhes de reais e, em vez de pagar s bandas, reinvestem neles mesmos. Eu e um grupo de amigos estamos nos movimentando para denunciar e chacoalhar esses caras. Se fazem uma auditoria ali, a organizao s sobrevive uma semana. O assustador  que os caras esto em todas as universidades brasileiras e fazem a cabea de uma poro de gente. 

Quem  seu pblico hoje? 
 gente de 12 a 50 anos, que canta as msicas que no tocam no rdio. Meu pblico  muito seletivo. No quero ficar tocando grandes sucessos. Fao rock'n'roll da melhor qualidade e sei que tenho o melhor show do Brasil. Fao shows o ano inteiro. Aprendi a tocar guitarra direito, a ter gosto por cantar, me tornei um bom letrista. Se eu no tivesse como viver de msica, estaria morto. Estou me lixando para o mainstream. Agora, eu pergunto: quem da minha gerao est fazendo msica hoje? Est todo mundo debaixo da Lei Rouanet. 

Lei Rouanet faz mais mal do que bem  cultura brasileira? 
Ela  perversa. Acho que o Rouanet, quando idealizou a lei, pensou em quem fazia msica experimental, um Arrigo Barnab da vida, gente que faz pesquisa musical, que no sobreviveria sem o mercado. Ou nos artistas que esto comeando. A lei  maravilhosa para isso. Mas o modo como ela  usada hoje no est certo. Se voc coloca vrios medalhes na parada, o empresrio vai pegar aquele que rende mais. Voc no vai colocar uma coisa pequenininha com um medalho. O mais grave  o seguinte: de uma forma ou de outra, com a lei, o estado d dinheiro e transforma o artista num militante. 

 verdade que recusou 2 milhes de reais que receberia da Lei Rouanet? 
Mais precisamente 1.996.000 reais. Sou scio da minha mulher numa produtora, e ela me incluiu em um projeto sem o meu conhecimento. S soube depois que o pedido havia sido aprovado. Fiquei bravssimo. 

O senhor ainda usa drogas? 
No uso desde 1991 e me sinto muito livre. Nos anos 80, todo mundo  quem fazia valsa, pagode, bossa nova, MPB  cheirava quantidades bblicas de p. Nunca tinha sido um grande consumidor at a hora em que me prenderam e tive contato com os chefes da droga na priso. Acabei me enturmando e passei a ser bem-vindo nos morros cariocas. Hoje, tomo um vinho, uma cachacinha, mas cocana, maconha, nunca mais. 

Julga-se incompreendido? 
Sem dvida. Muita gente por a no entende nada de nada do que eu falo. E olhe que eu no sou um poo de inteligncia. 

Considera-se um bom escritor? 
Sim. 

Melhor do que msico? 
Sou muito exigente naquilo que eu fao. Fao 100 msicas para considerar uma boa. Escrevo 1000 pginas para publicar 248. Tenho uma gana que um cara de 18 anos no tem. E um de 55, muito menos. Geralmente um cara da minha idade est numa curva descendente. Eu, no. Considero-me um jovem escritor e um msico veterano. E sei que o meu melhor ainda no chegou.


4. LYA LUFT  CONSTRUIR A DEMOCRACIA
     Palavras podem ser to usadas  e to mal usadas  que vo perdendo seu significado. Vai-se a essncia, ficam as franjas que cada um sopra para o lado que quiser. Assim, entre ns, de momento, vejo democracia.  democrtico reclamar, no aceitar malfeitos, exigir direitos, manifestar-se.  essencial para nosso respeito por ns mesmos. No  democrtico ser violento:  simplesmente violento. Quebrar bancos e lojas, invadir e ocupar prefeituras e assembleias, impedir civis de entrar e sair de casa, at de ir trabalhar,  uma forma de ditadura momentnea e pontual, de pssimo gosto e efeito contrrio. 
     Nesta atual crise de confiana, de respeito e de autoridade, cada um de ns precisa encontrar sua autoridade interna, seus limites. Pois, quando no despontam lderes confiveis, quando polticos se calam ou parecem atarantados, governantes no sabem o que fazer para manter ou estender seu poder, instituies esto desacreditadas porque no funcionam e leis so descumpridas, estamos todos perplexos  Queremos acabar com a corrupo, talvez o maior de nossos males, mas se vamos aplicar alguma lei, alguma autoridade possvel, nos aborrecemos. 
     Quebrar coisas, invadir locais at sagrados, como um hospital onde pessoas tentam sobreviver e mdicos se dedicam a salv-las, em geral mal pagos, nos horroriza, mas ai de quem procurar deter isso. Imediatamente, at parte da imprensa reclama: "Usaram gs, usaram pimenta, foram truculentos!". No vejo nada mais truculento do que quebrar a propriedade alheia, ou invadir e ocup-la, insultar, cuspir, barrar. Sou a favor de manifestaes e contra a resignao omissa. No creio que cessem por agora, mas para ser eficientes precisam ser pacficas de verdade, civilizadas, respeitosas com relao a seus membros e a toda a sociedade. A violncia de trogloditas afasta delas muita gente bem-intencionada que tambm quer protestar, e saber contra o que se protesta. 
     Quem grita, quem bate no tem autoridade: exerce um autoritarismo primitivo. E, quando todos estamos indecisos, ele apenas acovarda quem deveria exercer sua autoridade legtima, mas no sabe como. Rtulos vo ficando caducos e vagos. J no basta ser "contra o capitalismo" se nem sabemos direito o que ele , e se existem vrios capitalismos. Nem vale dizer que se age em nome da "esquerda", se h vrias esquerdas  e o que interessa na verdade  o bem comum, de todos, acima da ideologia partidria. 
     Estamos em momentos extremamente confusos, perigosos, de vulnerabilidade e indeciso. Consertar isso comea na famlia, nas pequenas comunidades, onde o caos nasceu. Pais no sabem o que fazer com seus filhos, professores so esbofeteados por alunos, mdicos so xingados, rimos e debochamos mais ou menos de tudo, nos achando fortes e importantes, numa arrogncia juvenil deslocada. Os atos e expresses de dio de jovens bem vestidos, bem nutridos, que atacaram por exemplo um grande hospital em So Paulo, foram de espantar: estavam destruindo o que na verdade  bem de todos, provocando mais sofrimento nos doentes que podiam ser um deles, um amigo, um familiar. Para qu? E com que direito? 
     Quando as autoridades externas falham como tm falhado aqui, resta descobrir elementos de uma autoridade interna em cada um, os nossos prprios limites, que nos dizem  ou deveriam dizer  que protestar  necessrio, mas que destruir  sempre negativo, ainda mais sob rtulos incertos. 
 difcil construir um convvio democrtico: somos demasiados, demasiado diferentes, demasiado ansiosos por usar a voz que descobrimos ter. Vamos usar no morteiros, pedras, pontaps, cusparadas e insultos, mas inteligncia, persistncia e firmeza. Democracia no se consegue destruindo: ela  igualitria, de ambos os lados h direitos a ser resguardados, bens, vidas. Democracia  todos terem valor e espao, todos serem respeitados  respeitando-se. Temos um longo caminho a percorrer ainda, um duro aprendizado que, s ele, pode nos tornar uma sociedade digna.


5. LEITOR
BLACK BLOC
Ao transformar manifestaes pacficas e democrticas em palco de guerra, com depredao de bens pblicos e particulares e agresso a cidados e policiais, os autointitulados black blocs prestam um imenso desservio queles que lutam por um pas melhor e mais justo ("O bloco do quebra-quebra", 21 de agosto). Que esses mascarados rebeldes sem causa sejam tratados com o rigor das leis.
FERNANDO SANTANA
Rio de Janeiro, RJ

Considero injustificvel a ao de quebra-quebra perpetrada por "caras tapadas''. Nos tempos de chumbo da ditadura militar, ns amos para a rua protestar pela volta do estado de direito, com os rostos  mostra, mesmo sabendo que estvamos sendo vigiados pelos servios secretos. Protesto com mscaras no regime democrtico  ao para covardes e bandidos. Uma coisa eles conseguiram: afastar a populao das manifestaes por melhorias, principalmente na sade, na educao, na segurana e na mobilidade urbana.
LUIZ CARLOS OLIVEIRA MACHADO
Salvador, BA

Os filmes sempre mostraram o mocinho contra os bandidos que cobrem o rosto. Antes de sermos agredidos novamente com cenas de puro vandalismo  o Legislativo deveria aprovar uma lei que autorize a polcia a prender e fichar todos os mascarados nas passeatas.
HILTON CASTELLI
Curitiba, PR

Cidados que se julgam indignados por desmandos polticos e sociais, seja no Brasil, seja em qualquer outro lugar do mundo, no tm o direito de sair s ruas em cordo humano agindo com total irresponsabilidade, ameaando, coagindo e promovendo a destruio urbana.
CLIO BORBA
Curitiba, PR

A mente humana  no mnimo curiosa. Tem gente que realmente acredita que quebrar tudo  a melhor soluo. Como quebrar patrimnio pblico e privado, de gente que muitas vezes deu duro a vida toda, pode ser a soluo para o Brasil? Esse bando vai na contramo da mudana. Os protestos que comearam em paz foram sendo abafados por esses bandidos. Ningum agora se sente seguro, j que sabe que tudo pode terminar em quebra-quebra.
HENRIQUE ROSA FILGUEIRAS
Vila Velha, ES

Esses "mentes tapadas'' dos dias atuais podem ser designados como os "ovelhas covardes", pois usam mscaras com medo de ser reconhecidos por seus familiares e amigos e pelas autoridades policiais. A fria deles est sendo utilizada por polticos e governantes para justificar a represso em cima de quem vai para a rua protestar por condies melhores de vida. Vamos separar o joio do trigo. Ns, cidados honestos, trabalhadores e pagadores de impostos, j temos muito contra o que lutar e no precisamos de mais um grupelho que s quer destruir o patrimnio pblico e privado. Passado o tumulto, eles se escondem em suas roupinhas de marca e celulares caros.
EVANDRO SUDRIO RIBEIRO
Rio de Janeiro, RJ

No consigo entender por que esses vndalos que se juntam a uma manifestao com o rosto coberto no so tirados de circulao antes de comear a destruir. Se eles cobrem o rosto  porque esto com m inteno. A polcia no notou isso ainda?
DURVAL MACEDO FILHO
Fortaleza, CE

 legtimo manifestar-se, mas a destruio e a pilhagem de bens pblicos e privados configuram banditismo. A sociedade no pode ficar  merc de bandidos.
SEBASTIO DOMINGUEZ NETO
So Jos dos Campos, SP

Est claro que as autoridades eleitas sabem o que deve ser feito, mas no sabem como arcar com o prejuzo poltico. Vandalismo no  democrtico.  crime, e como tal deve ser combatido com o arsenal legal posto  disposio da polcia. Por que a polcia no age? Porque seus dirigentes no querem perder o cargo, que viraria p caso agissem como  necessrio para o combate ao crime. O Brasil se acovardou.
MRCIO DE LIMA COIMBRA
Por e-mail

PHILIP ZIMBARDO
Demolidora a entrevista com o psiclogo americano Philip Zimbardo ("O mal est em todos ns", 21 de agosto). Com palavras simples e ideias retas, ele descreve como o ser humano : (...) o mal repousa dentro das pessoas". As concluses a que o entrevistado chegou em suas pesquisas me deixaram pensativo. Parabns  jornalista Gabriele Jimenez e  equipe de VEJA.
RICARDO HARY JUNGHANS
Curitiba, PR

Os defensores dos direitos humanos no Brasil so apologistas da teoria de que, se a sociedade propicia as condies para a prtica do mal, o criminoso no pode ser responsabilizado por faz-lo. Nas Pginas Amarelas de VEJA, Philip Zimbardo nos recorda que, nos julgamentos de Nuremberg, a tnica foi: "Se voc prejudicou o prximo, ceifou vidas, disseminou o mal, as razes so absolutamente irrelevantes. Voc  culpado da mesma forma". E, assim, a Justia condenou os rus. Quando retomaremos o caminho da lucidez?
PAULO VIANNA DA SILVA
Florianpolis, SC

Philip Zimbardo diz que as circunstncias podem corromper as pessoas. Daniel Jonah Goldhagen, em seu best-seller Os Carrascos Voluntrios de Hitler, exps exatamente essa questo: como pessoas "de bem"  cidados comuns e oficiais do Exrcito "decentes"  tornaram-se mquinas assassinas por escolha prpria. Muitas podem ter sido corrompidas pelas circunstncias, mas outras tantas se aproveitaram das circunstncias para se corromper. Como deixa claro o entrevistado, nada tira delas a responsabilidade pelos seus atos.
ROBERTO BLATT
So Paulo, SP

 preciso mais profundidade e cincia ao avaliar e estudar a natureza da maldade humana. Muitas das afirmaes de Philip Zimbardo j foram discutidas e possuem respostas mais pragmticas oriundas das neurocincias. Apesar de humanos, somos seres individuais e obedecemos a linhas neurais constitudas sob alicerces culturais, educacionais e genticos, condicionados por meio de convices, valores, regras e tudo o que traa as pistas por onde trafegam nossas decises, sob a batuta dos estados neuroqumicos que condicionamos atravs dos anos.
RODRIGO BATALHA
So Paulo, SP

A entrevista com o psiclogo Philip Zimbardo me remeteu a maldades histricas cometidas por lderes do PT. Os desvios de conduta comearam com a guerrilha urbana, chegaram  Comisso da Verdade, que no apura os crimes cometidos pelos petistas (ento terroristas), e tm seu pice no mensalo.
OTVIO PEREIRA NOGUEIRA
Rio de Janeiro, RJ

STF E O MENSALO
No surpreende a nova tergiversao do calouro do Supremo Tribunal Federal, ministro Lus Roberto Barroso, quando, ao julgar recursos referentes  ao que trata especificamente da "corrupo do PT", se apressou em dizer que "no h corrupo do PT, do PSDB ou do PMDB, dos nossos ou dos deles..." ("Mais perto do fim", 21 de agosto). Isso todos ns j sabemos, mas o que esperamos dele  que se apresse em dizer o que acha dessa corrupo que agora lhe cabe julgar.
DURVAL MONTEIRO
So Paulo, SP

Sou advogado e, assim como tantos do mundo jurdico, toro para que o ministro Lus Roberto Barroso julgue e decida de acordo com seu notvel conhecimento jurdico e impecvel senso de justia, e no amparado em defesa indireta de  quem o nomeou para o mais alto cargo da Justia.
EDUARDO E. TOBERA FILHO
Palmas, PR

O ministro Ricardo Lewandowski exagerou em sua desesperada insistncia em anular uma deciso unnime do STF. A reao do ministro Joaquim Barbosa contra essa nova chicana pode ter sido pesada, mas justificvel, em face do recorrente boicote e das sibilinas provocaes de Lewandowski. A pacincia de Barbosa e a do povo tm limite.
CARLOS ANTONIO NOGUEIRA FILHO
Rio de Janeiro, RJ

Associaes de juzes se manifestaram contra o presidente do STF, Joaquim Barbosa, pelo entrevero verbal com o vice-presidente da Corte, Ricardo Lewandowski. No plenrio do STF, os brasileiros j viram de quase tudo. No faz tanto tempo, o ministro Marco Aurlio Mello desafiou, em sesso, o mesmo Joaquim Barbosa para um duelo. Deuses tambm brigam: em populares e mortais palavras, um togado chamou o outro para a briga perante cmeras e holofotes, aos olhos da ptria  estarrecida. Talvez o presidente Barbosa merea palmadas, e no palmas, pela intemperana no trato, principalmente com o vice. Mas as mesmas associaes de juzes no tugiram nem mugiram quando o ex-presidente Lula indicou para o Supremo um ex-advogado do PT sem notvel saber jurdico e com a reputao manchada por condenao judicial em primeira instncia. Do cuspe e pisoteio na Constituio Federal participou o Senado, como convm aos valores professados em Braslia. As associaes de juzes tm motivos para no engolir Joaquim Barbosa. Ele quer acabar com os festivos e acintosos convescotes de magistrados patrocinados por empresas. Tambm est na mira do presidente do STF o poderosssimo esquema de escritrios de advocacia com pontas de lana constitudas por filhos, noras, genros, paralelos, colaterais e quejandos de magistrados dos chamados tribunais superiores. J Lewandowski  aquela flor que se cheira desde que o inalador seja petista e queira os bandidos da cpula do PT  j condenados pelo mensalo  em priso no mximo domiciliar. Se no exagero na ironia, no seria surpresa para os brasileiros se o ministro Lewandowski comparecesse as prximas sesses do julgamento do mensalo coberto por toga impecavelmente vermelha com estrelinha branca  altura do corao.
JOS MARIA LEAL PAES
Belm, PA

PARECERES DESAPARECIDOS
Na trrida e eloquente reportagem "Pareceres desaparecidos" (21 de agosto) fica claro o motivo da irritao do ministro Joaquim Barbosa com o ministro Ricardo Lewandowski. O presidente Barbosa extrapolou em descortesia, enquanto o ministro Lewandowski tem extrapolado em sua conduta nada republicana.
DORANY SAMPAIO
Recife, PE

Outros leitores de VEJA que tambm tenham lido Inferno, de Dan Brown, talvez tenham feito, como eu, correlao com a epgrafe desse livro, uma citao inspirada na obra de Dante Alighieri, ao ler a reportagem do jornalista Rodrigo Rangel: "Os lugares mais sombrios do inferno so reservados queles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral". Mais uma vez, "a arte imita a vida"!
JANE DE ARAJO PERES
Campinas, SP

GUSTAVO IOSCHPE
Corajoso, magnfico e oportuno o artigo "Universidade gratuita para aluno rico  uma aberrao brasileira" (21 de agosto), de Gustavo Ioschpe. Nasci filho de colonos plantadores de arroz em uma fazenda no noroeste fluminense. Toda a minha formao, do primrio  universidade, foi adquirida em escolas e universidades pblicas brasileiras. Nos intervalos das aulas aproveitava para admirar os carres novos dos nossos colegas abastados, que eram a grande maioria, maioria essa que crescia ano a ano. Anos se passaram, e ingressei no mercado de trabalho. Trabalhei duro, constitu famlia, cheguei  classe mdia. Tenho dois filhos  um mdico e uma advogada formada em universidade pblica  e observo que cada vez mais os bancos das instituies pblicas so ocupados pela classe mdia alta e por ricos. Quem tem recursos para pagar os memores colgios privados e cursos pr-vestibulares carssimos pode  e deveria  pagar pelos cursos oferecidos pelas universidades pblicas.
PAULO CSAR DA CRUZ DE AZEVEDO
Miracema, RJ

Muito bom que Gustavo Ioschpe possa trazer aos leitores um assunto pouco explorado por professores e acadmicos brasileiros. Sou mestre em educao brasileira e tentei discutir tal assunto em sala de aula com alunos da graduao e em conversas com alunos da ps-graduao. A resposta foi sempre a mesma: "J pagamos muitos impostos". Enquanto nos pases culturalmente desenvolvidos os alunos e seus pais entendem que tm de poupar desde cedo para que futuramente seus filhos venham a frequentar a universidade, no Brasil tal medida parece ser reprovvel e injusta.
IGNEZ MARTINS TOLLINI
Braslia, DF

Parabenizo o economista Gustavo Ioschpe pelo brilhante artigo, que vem ao encontro de meu pensamento, pois sempre fui a favor de o filho de classe abastada, quando ingressar na faculdade pblica, pagar para poder subsidiar um aluno de classe menos favorecida. Como seria bom se aparecesse um parlamentar para apresentar um projeto de lei sobre o assunto.
JOANIR SERAFIM WEIRICH
Braslia, DF

No concordo com o articulista por dois motivos: a educao  um dever do estado; quem paga imposto neste pas, rico ou no, paga antecipadamente educao (inclusive universitria), sade e segurana. Os pagadores de impostos esto levando calote (em um economs popular como o meu). Escola primria, ensino mdio e ensino superior com excelente qualidade devem ser de acesso democrtico a todos.
Luiz DE SOUZA E SILVA JNIOR
Macei, AL

Caso aplicssemos melhor os impostos arrecadados pela nao, alm de uma reduo drstica da corrupo, teramos no apenas uma universidade pblica gratuita e de excelncia para todos como tambm uma digna educao de base  que hoje  o nosso calcanhar de aquiles.
DANIEL REIS DANTAS
Salvador, BA

FANTASMAS
Em relao  reportagem "Fantasmas profissionais" (21 de agosto), a Agncia Agnelo Pacheco jamais, em tempo algum, deixou de pautar seu comportamento pelos parmetros de governana ticos que a fizeram uma das mais vitoriosas instituies do mercado publicitrio. A empresa Painel Brasil TV realiza, por contrato, consultoria em comunicao digital diretamente para a Agnelo Pacheco. Ela tem reconhecida atuao nesse nicho especfico. A agncia de publicidade, como contratante, no podia nem pode delimitar o raio de atuao de seus fornecedores. A Agnelo Pacheco desconhece quaisquer aes fora dos padres da Painel Brasil TV.
AGNELO PACHECO
So Paulo, SP

CABRAL
Solicito as seguintes retificaes sobre a reportagem ''A riqueza de Cabral'" (21 de agosto): quem deu a notcia da escolha de componentes de listas trplices feitas pela OAB e pelo Tribunal de Justia do estado do Rio de Janeiro fui eu, o governador. Jamais deleguei tal tarefa  minha mulher. Quanto ao questionamento sobre o escritrio dela advogar para concessionrias de servios pblicos estaduais e federais em causas que no tenham relao com o governo do Rio de Janeiro, reitero o informado  revista que tal questionamento j foi realizado pela oposio ao governo em 2010, tendo sido arquivado pelo Conselho de tica da OAB e tambm pelo Conselho do Ministrio Pblico.
SRGIO CABRAL
Governador do estado do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, RJ

J.R. GUZZO
Um dos aspectos menos atraentes da personalidade humana  a tendncia de muitas pessoas de condenar tudo e todos como se fossem farinha do mesmo saco. Nem colunistas mais inteligentes, como J.R. Guzzo, esto livres dela. Em sua coluna "Com um brao s" (21 de agosto), Guzzo se baseia em dois erros grosseiros no intuito de equiparar, no plano moral, o PSDB e o PT. Ele iguala o escndalo do mensalo  admisso de cartel no setor ferrovirio feito pela companhia alem Siemens. No h comparao possvel entre as duas coisas. O mensalo foi o maior caso de corrupo do pas, por meio do qual foram condenados os principais dirigentes do PT. J o suposto cartel confessado pela Siemens  um acordo entre empresas para eliminar a concorrncia, obtendo maiores lucros, em prejuzo do cliente e do bem-estar do consumidor. O mensalo  corrupo do PT. J o cartel  crime de mbito mundial praticado pela Siemens e suas concorrentes. Alm de no se confundir com corrupo, a formao de cartel no fora exposta no Brasil e no mundo justamente porque dela no havia provas antes da confisso feita pela companhia alem. O segundo erro de Guzzo  insinuar que a resposta do PSDB no caso do cartel seria a mesma do PT no caso do mensalo: acusar o acusador. Errado. Por ser vtima desse cartel, o governo do estado de So Paulo fez o que lhe cabia. Moveu uma ao de indenizao contra a Siemens, que admitiu ter lesado o contribuinte paulista. Alm disso, abriu uma investigao transparente, de verdade, com a vigilncia da sociedade civil, para apurar a participao de outras empresas no esquema. Mais: mesmo tendo a Siemens negado publicamente a existncia de indcios de corrupo de senadores pblicos, o governo paulista vai s ltimas consequncias para investig-la. Se corrupo houve, os servidores envolvidos sero punidos.
DUARTE NOGUEIRA
Presidente do PSDB de So Paulo
So Paulo, SP

O S de social vira S de Siemens. At tu, PSDB?
FAUSTO FERRAZ FILHO
So Paulo, SP

Ao contrrio do general mexicano lvaro Obregn, que possua apenas um brao, no Brasil temos divindades hindus na poltica.
LOURIMAR T. BEAL
Chapec, SC

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
CINEMA
A continuao de Vai que D Certo, comdia estrelada por Fbio Porchat e Bruno Mazzeo, ter um oramento duas vezes maior do que o do primeiro filme. A Ancine aprovou a captao de 7,5 milhes de reais para a comdia. www.veja.com/radar 

VIVER BEM
CAROLINA D'UREA
TRATAMENTO
A hidroterapia como tratamento de reabilitao deve ser realizada em uma piscina adaptada, com a temperatura da gua entre 28 e 30 graus. Os exerccios devem ser orientados por um fisioterapeuta.
www.veja.com/viverbem 

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
SADE 
Se h uma rea que piorou espetacularmente no Brasil nestes quase onze anos de governo petista, essa  rea  a sade. E  mentira que tenha                                                                                               sido por falta de recursos. Falta mesmo  competncia.
www.veja.com/reinaldoazevedo 

DE NOVA YORK
CATO BLINDER
SRIA
O regime srio atua com muito mais impunidade do que os militares egpcios. Um dos motivos  contar com apoio russo, iraniano e da milcia xiita libanesa Hezbollah.
www.veja.com/denovavork 

NOVA TEMPORADA
OS MAIS BEM PAGOS DAS SRIES
A revista TV Guide divulgou a lista dos atores de srie de TV mais bem pagos dos Estados Unidos. So 49 nomes que ganham valores entre 125.000 e 750.000 dlares por episdio  sem contar o que recebem com a venda dos seriados e produtos agregados. Os trs primeiros lugares so ocupados por atores da CBS, o canal que tem as sries de maior audincia nos ltimos anos no pas. Ashton Kutcher, de Two and a Half Men, est no topo, com o pagamento de 750.000 dlares por episdio. Depois vem seu colega de srie Jon Cryer, que recebe 650.000 dlares. Em terceiro lugar est Mark Harmon, de NCIS, com 525.000 dlares por episdio. www.veja.com/temporada 

QUANTO DRAMA!
CONSELHOS DE NOVELA
Ateno s conselheiras de planto da novela Amor  Vida, de Walcyr Carrasco. O blog Quanto Drama! faz uma seleo dos conselhos e ensinamentos mais valiosos distribudos pelos personagens  com sorte, um conforto para os coraes mais desesperados. Um exemplo: "O primeiro casamento deve ser por interesse. J o segundo pode ser por amor", de Mrcia (Elizabeth Savalla) para Valdirene (Tat Werneck).

COLUNA
BOLSA MIAMI
Foi bom enquanto durou. Mas, ao que tudo indica, chegou ao fim a Bolsa Miami da classe mdia. O dlar mais caro veio para ficar e a alta tem ligao , com fundamentos, no  apenas um ataque especulativo, como as autoridades monetrias do a entender. Os investidores esto retirando dlares do Brasil, mandando-os de volta para os Estados Unidos. Por um tempo, a "nova classe mdia" foi muito celebrada pelo governo marqueteiro, mas ela est em xeque. O crdito farto garantiu um padro elevado de consumo, que no mais se sustenta. Muitos pensaram estar mais ricos em dlares, indo  Disney e a Miami pela primeira vez, mas a era da bonana acabou. O Mickey cobra em dlares, e estes esto cada vez mais caros. www.veja.com/rodrigoconstantino 

 Est pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  ESTIMULAO MAGNTICA TRANSCRANIANA
No invasiva, tcnica constitui uma alternativa no tratamento de determinados quadros de depresso.

     Portadores de depresso grave que no apresentam resposta satisfatria a terapias medicamentosas podem contar com mais uma opo de tratamento. Trata-se da estimulao magntica transcraniana (EMT), aprovada em 2012 pelo Conselho Federal de Medicina como prtica mdica no Brasil. A tcnica tambm foi aprovada para tratamento de alucinaes auditivas (esquizofrenia) e planejamento de neurocirurgias. 
     A estimulao magntica transcraniana  uma modalidade de neuroestimulaco superficial e focal, sendo o crtex frontal o principal alvo quando usada para o tratamento da depresso. A grande vantagem em relao a outras tcnicas de estimulao cerebral  o fato de ser praticamente indolor, no invasiva e apresentar baixo ndice de reaes adversas.  
     Ter sido aprovada pelo Conselho Federal de Medicina no faz da estimulao magntica transcraniana uma tcnica de largo emprego. A indicao deve obedecer a determinados critrios, que comeam pela anlise criteriosa do histrico do paciente. Quadros de depresso que no tenham respondido adequadamente ao tratamento com medicamentos antidepressivos ou aqueles em que a medicao no  tolerada so, em princpio, fatores para recomendao dessa tcnica. 
     Avaliao criteriosa e cautela devem ser adotadas nos casos de indivduos que foram anteriormente submetidos a neurocirurgias ou que usem marca-passo cardaco. Igual cuidado deve ser dedicado a pacientes epilticos, pessoas com histrico familiar de convulses ou que tenham tido no passado alguma convulso ocasional. Uma vez indicada a terapia, cabe ao mdico, depois de realizar medies para determinar o exato local das aplicaes, definir parmetros como frequncia e intensidade da carga, com base na gravidade da patologia, idade e condies gerais do paciente.  
     O procedimento pode ser ambulatrial e  feito com o paciente acordado. Uma leve dor de cabea na rea que recebe a carga costuma ser a principal reao adversa relatada. Em mdia, de 15 a 20 sesses, com 20 minutos de durao cada, so suficientes para uma melhora sensvel da grande maioria dos pacientes, muitos dos quais atingem remisso total dos sintomas. 
     Alm das indicaes aprovadas, h atualmente uma srie de pesquisas em andamento para aplicao da estimulao magntica transcraniana para diversas finalidades  da recuperao de sequelas de acidente vascular cerebral (AVC) ao tratamento do mal de Parkinson e de transtornos alimentares. Nessas indicaes, porm, a tcnica deve continuar sendo um procedimento experimental, praticado mediante protocolos de pesquisa.

Saiba mais sobre este e outros assuntos no site www.einstein.br
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Sua sade  o centro de tudo.
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t@/hosp_einstein
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Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949

